sábado, 21 de março de 2009

Refletir é preciso


Não sei vocês, mas eu tenho sentido um cansaço imenso. É informação demais em pouco tempo. Abrir os portais e ler a cada minuto uma nova notícia tem começado a ficar estressante. Não nos resta muito tempo para refletir, mas refletir é preciso, assim como era preciso navegar. E eu começo a ficar confusa em relação aos fatos e tendências.

Hoje, o fato que tem sido mais abordado na mídia é a crise. E as notícias têm me deixado confusa. Ao mesmo tempo em que leio que há bancos lucrando muito aqui no Brasil, leio também que há outros quebrando tudo por aí, pelo mundo. Numa noite no jornal nacional ouvi que o registro em carteiras aumentou no último mês, mas logo em seguida uma determinada empresa multinacional demite um número considerável de funcionários. Enquanto isso, no congresso estão pagando horas extras a parlamentares que estavam em recesso, mas o governo deixa de investir em determinadas áreas da sociedade por causa da falta de recursos, afinal, estamos em crise. E desde quando estivemos fora dela? Nesses meus vinte e nove anos de vida, não me recordo de nenhum tempo em que tudo estava às mil maravilhas. Só sei que há diversas notícias sobre tudo e todos e não chegamos a conclusão alguma.

E uma das conclusões que eu gostaria de chegar é se estamos realmente em crise ou não. As bocas dizem que sim, mas os fatos são confusos. Sei que lá na terra de Obama a coisa não está nada legal, mas e na terra de Lula? Chegou a marolinha ou o Tsunami mesmo? Será que as empresas estão demitindo porque lhes falta dinheiro devido à queda das vendas de seus produtos ou é apenas uma justificativa para diminuir os gastos, contratar mão de obra mais barata e assim lucrar um pouco mais?

Em nenhum momento, nos jornais, os fatos ficam claros. Portanto, o negócio é se voltar ao seu dia-a-dia. No meu, as coisas não parecem ter mudado muito. Houve cortes de funcionários na empresa onde eu trabalho, mas um número pequeno diante de outras empresas. Só sei que as pessoas ficam aterrorizadas. Mas, ao perambular pelas ruas, não vejo crise. A quantidade de pessoas em restaurantes, shoppings, supermercados e outros templos do consumo está normal. No trânsito, o mesmo caos. Um reflexo da economia, pois a população ainda está colocando combustíveis em seus carros e ainda perambulam por aí o gastando.

Assim, diante desse cansaço com informações desencontradas, fatos e tendências um pouco desvirtuadas, resolvi viver o dia-a-dia, de preferência sem ligar a televisão nos noticiários, só nos resumos semanais de notícias, que geralmente são mais leves. Sei que hoje estou empregada, sem medo de ser feliz. O amanhã, ninguém sabe mesmo o que virá. Com ou sem crise, posso perder o meu ganha pão, ou posso passar mais alguns anos atrás daquela mesa o ganhando, como se nada tivesse acontecido. Não tenho medo. Sem esquecer que nada acontece por acaso. Tenho fé que nesse mundo maluco que vivemos, tudo nos acontece para o nosso bem, mesmo que doa. Algum aprendizado iremos tirar de qualquer situação, por mais absurda ou caótica que possa ser. Portanto, com ou sem crise, vamos viver, sem esquecer que refletir é preciso


Imagem: O Pensador, de A. Rodin

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