Há algum tempo estou pensando em escrever sobre o gênero de comédia do momento, o Stand Up. É a comédia em pé. Um microfone e um bom texto cheio de humor sobre o cotidiano bastam para fazer rir. E alguns dias antes de postar no blog um texto já praticamente pronto em meu caderninho de anotações, fiquei sabendo que haveria um encontro proporcionado pela Revista Bravo, na Fnac Pinheiros, abordando exatamente o tema. Haveria a presença de Oscar Filho, comediante do gênero há no mínimo 4 anos e repórter do CQC, Rafael Cortez, iniciante no stand up e também repórter do CQC e a comediante Agnes Zuliani, do Terça Insana e especialista em stand up.
Bom, lá fui eu pra Pinheiros. Durante o encontro pude constatar que alguns pontos que eu iria abordar estavam realmente sendo discutidos no meio. Primeiramente, que há muita gente talentosa praticando esse tipo de comédia, mas há também muitos sem talento algum que estão buscando a fama como objetivo principal. A aparente facilidade do stand-up é uma grande ilusão. Subir em um palco, falar besteiras ao léu, sem ter um texto bem lapidado, não é uma boa idéia. Como disse Agnes Zuliani no encontro, “tem muito garoto que era considerado o engraçadinho da sala na época do colégio achando que pode praticar o gênero”. Mas, não é bem assim. O grande desafio está no texto. E como disse Rafael Cortez, que está iniciando e não busca a fama e sim um exercício para melhorar principalmente suas reportagens no CQC, “é muito difícil acertar o texto e que tem muito a aprender”.
Outro ponto é os temas abordados. Das últimas vezes que fui assistir a uma comédia, percebi que há temas repetidos e outros que já viraram chavões. Tirar sarro da Preta Gil, falar do quanto a Hebe está velha e alguns outros assuntos estão bem batidos. Para aqueles que gostam demais do gênero, fica um pouco óbvio o movimento das coisas, deixando de surpreender e claro, deixando de rir. Tenho tido a impressão que algumas receitas são seguidas e o sabor vai ficando igual e acabamos enjoando. E eu, como mera espectadora e admiradora, acredito que as coisas não podem ser assim. É preciso um texto que aborde tudo, com um ponto de vista bem particular, baseado nas observações do cotidiano da forma mais pessoal e inteligente possível.
Outro ponto abordado no encontro e que eu já havia comentado com amigos admiradores também é ver a influência que Danilo Gentili, Rafinha Bastos, Marcelo Mansfield e o próprio Oscar Filho tem nos comediantes aventureiros e iniciantes. É perceptível a reprodução de trejeitos e estilos. Não acredito que piadas sejam roubadas, mas que estilo e trejeitos sim, o que não é nada bom. A originalidade é algo imprescindível e o jeito de cada um observar a vida e seus fatos também.
E por falar em observação, eu vejo que haverá uma seleção natural. Dá-lhe Darwin. Os talentosos e originais irão ficar, perdurarão por muito tempo nos palcos, enquanto aqueles que só estão praticando a comédia, em busca de fama e dinheiro, ficarão para trás. Terão que buscar alternativas ou mudar de ramo.
Abaixo, um vídeo do talentoso Oscar em seu solo, Poutz Grill, reproduzido no encontro da Revista Bravo. Percebam a simplicidade do tema e como o comediante o aborda. Com seu estilo interpretativo, fazendo caras e bocas, Oscar é original e sabe nos fazer gargalhar.


2 comentários:
Stand up está na moda. É só folhear os guias da Folha e Estado que pipocam Stand ups. Mas, a qualidade de algumas apresentações é questionável. Assistir apresentações de comediantes como Oscar Filho ... é difícil. Muitos "garotos" se aventuram, mas poucos conseguem cativar a platéia. Ponto para o pessoal do Clube da Comédia.
Muito bom seu texto. Vc escreve bem pacaz! Muito boas suas análises; muito bom tudo. Gostei!
Um beijo grande e carinhoso
Rafa Cortez
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