terça-feira, 23 de dezembro de 2008

O ponto final


Faltava o ponto final real. Dentro dela, o fim já havia procedido, mas ainda não tinha sido dito. E numa conversa através do computador, ela pôde dizer não. Era o que faltava para sua alma ficar livre. Finalmente o último capítulo dessa história aconteceu.


Anos e anos numa luta constante com o passado. Saudades, vazios, resignações, cicatrizes abertas. E o tempo passando. Mas, neste ano, há meses, teve a certeza com seu sentido absoluto que todo aquele sentimento havia chegado ao seu fim. A partir daí, dedicou-se a viver plenamente, divertidamente, sem sentir a falta dele como antes acontecia. Depositou a caneta dessa história no canto, só esperando a oportunidade de colocar o ponto final.


Até que ela surgiu de repente, diante de seus olhos, na tela do computador numa noite a poucos dias do Natal. Ela teve a oportunidade de dizer a ele que todos os sentimentos findaram-se. E a partir daí, resgatou a caneta e desenhou o pingo do fim. Ele aconteceu, como acontecem as coisas mais naturais da vida, sem grandes esforços, no seu momento, no dia que deveria ter acontecido. Não há mais nada a escrever dessa história.


O sentimento que reside dentro dela é de liberdade. Simplesmente livre. Já sente o cheiro de livro novo, com páginas brancas e limpas a serem preenchidas com o que há de mais intenso a ser vivido daqui pra frente. Nelas, espirra o perfume do acaso, aquele mesmo perfume de Clarice Lispector, em que sabiamente deu o nome de Imprevisto. Sem planejar nada, viverá o que a vida irá lhe proporcionando, aguardando o que há de melhor, principalmente os imprevistos bons.

1 comentários:

lirodrigues disse...

Nossa, Ta, adorei. E me identifiquei muito com o texto.
Adoro a inspiração de Clarice Lispector, ela tem o dom de deixar-nos melhores.