domingo, 21 de dezembro de 2008

Não sei se me preocupo, se me conformo ou compro um cachorro

Hoje sai com amigas para fazermos um balanço geral de 2008. O encontro foi excelente, mas duas delas compraram/ganharam cachorros recentemente e volta e meia, os caninos eram a pauta de nossas conversas. Eu não tenho cachorro e não pretendo ter, mas é impressionante como tais bichinhos ganham importância na vida de uma pessoa.

Canino UM faz coco de um jeito, mas Canino DOIS já faz xixi de outro, no ralinho! Que fofo! Canino DOIS solta gases fétidos, mas Canino UM não, pelo menos ainda não, é muito novinho. Vocês precisam ver o Canino DOIS correndo, uma graça e acredita que ele tem ciúmes? Menina, Canino UM late para a tigela quando está com fome, não é incrível? E Canino DOIS é tão forte que arranha todo o meu braço quando a gente brinca.

De repente, durante nosso papo vespertino, tive uma tremenda saudade da época em que conversávamos sobre meninos. Somos um grupo de mulheres que estão chegando aos trinta anos ou já chegaram e sabemos que nossa visão de mundo amadureceu e vai continuar amadurecendo. Portanto, a nossa visão sobre os meninos também está bem mais tranqüila, madura e equilibrada, mas, não imaginei que a pauta principal, desde a época em que nossos hormônios estavam detonando nossos rostinhos com acnes purulentas, fosse substituída pelos detalhes da linda vida de cachorrinhos bebês.

Temos que pensar que este fato é muito significante em nossas vidas. Chego a pensar em três possibilidades. Uma delas é começar a me preocupar com ele, pois a vida dos caninos amigos é o que nos mantém numa mesa de restaurante e isso pode ser grave. Os cachorrinhos, na verdade, tem um plano, eles querem dominar o mundo. E minhas queridas amigas são apenas vítimas de um destino cruel. É preciso resistir à vontade deles, discipliná-los e não deixar que tomem conta de nossas vidas e nossos assuntos numa mesa de bar.

A segunda opção é me conformar que eles são realmente importantes para a sociedade e para estas mulheres que estão em minha vida há muito tempo. É preciso acreditar que é só uma fase, porque isso vai passar e voltaremos a conversar sobre meninos, relacionamentos, realizações profissionais, nosso dia-a-dia na maior cidade do país, nossos dramas familiares, dinheiro e etc, etc e etc...

E a terceira e última opção é comprar um cachorro para eu me sentir inserida na pauta. Uma opção que nesta fase de minha vida é bem improvável. Cachorro é um bichinho fofo e lindo, desde que eu não precise cuidar dele. Não vou dizer aqui: nunca vou ter um cachorro, porque todo mundo sabe que nesta vida “Nunca diga nunca”. Mas, se depender de minha pessoa e de meus esforços, vou passar por essa existência sem um contato intenso com o mundo canino de ser.

Optarei por me conformar. Os bichinhos irão crescer e deixarão de ser o centro das atenções. Entrarão na rotina da vida de cada uma e tudo voltará ao normal. E espero que venham muitas e muitas outras pautas tão polêmicas quanto essa e que a única coisa que não amadureça seja a nossa amizade, pois é uma delícia ainda sentar na mesa de um restaurante, um bar ou em qualquer canto do mundo e deixar a nossa seriedade de lado e rirmos como crianças. Beijo no coração das amigas e no pequeno coração de seus respectivos bebês caninos. Aaaa, no final de tudo, concluímos que 2008 foi excelente, au au, au!

2 comentários:

Fiorio disse...
Esta postagem foi removida pelo autor.
Fiorio disse...

Prezada Tagarela,
A possibilidade de você estar diante de um plano diabólico dos filhotes caninos pode ser a mais pura verdade. Filhotes são uma arma biológica! Qual das suas amigas nunca soltou a expressão “Que gracinha!” ao ver um filhote de gato, cachorro ou mesmo humano? Os filhotes são armas potentes que interferem em nossas funcionalidades cerebrais, ativando um programa de proteção aos filhotes.
É lógico que entre as mulheres, os bebês, têm a capacidade de ativar mais rápida e prontamente tal circuito. Quando apenas falamos dos filhotes, o dispositivo não é tão ativado, a menos que a pessoa já tenha passado pela experiência de ter um filhotinho (ou bebê) ou que seja uma pessoa plenamente visual.
Especialistas em comportamento de primatas (e de humanos) atribuem à forma arredondada da cabeça dos filhotes o “start” para o sentimento maternal e de apreciação. Outros cientistas atribuem ao tamanho da cabeça desproporcionalmente maior em relação ao corpo e membros. Curiosidade: Veja um desenho do Mickey Mouse daqueles em PB e um mais atual e você verá que a evolução da forma do personagem tornou-se mais agradável (e mais infantilizado, mais filhote).
Existem muitos cães e gatos abandonados por várias razões e dentre elas o fato do animal crescer, perder a forma de filhote, além do volume do coco e do xixi aumentarem.
O foco das pessoas muda com a idade, isso é inquestionável! Quando você for mãe, aposto que o comportamento visto em suas amigas poderá ser visto em você. Sem você perceber estará falando de fraudas e chocalhos, enquanto as suas velhas parceiras se perguntarão “O que aconteceu com ela?”.
Na verdade, suas amigas estão em franca maternidade, sem se darem conta e sem amamentar, mas cuidando de seres indefesos e dependentes.
Aceitar os gostos de suas amigas é puro sinal de amizade. Amizade real que deve ser cultivada.
Bichos devem ser como filhos (não tenho filhos, porém muitos bichos). Devem ser cuidados, mimados na medida certa e exigidos (no bom sentido) também com a mesma moderação, como se fosse um parafuso: Se apertar demais espana. Se apertar pouco fica frouxo.
Bichos não querem saber se você penteou seu cabelo, se a sua calça é a última moda, se você escovou os dentes após o café da manhã, etc... O meu amigo Rômulo diz que ter um bicho é uma forma de egoísmo, mas é muito bom!
Por isso, do fundo do meu coração: Se quiser tem um bicho, lembre-se da sua responsabilidade! Como, em geral, eles vivem menos podemos dizer que: Bicho é para toda a vida (deles)!