José Saramago virá fazer o lançamento oficial do seu livro A VIAGEM DO ELEFANTE, editado pela Companhia das Letras e eu já o estou lendo. O lançamento irá acontecer no Sesc Pinheiros, dia 27 de novembro, às 21hs e será imperdível. Que os deuses das artes e principalmente da literatura nos ajude a conseguir ingressos para tal evento. Eles serão distribuídos gratuitamente e a concorrência será grande!O livro se passa em 1551, no reinado de D. João III, casado com Catarina d´Áustria. Numa noite, na alcova, o casal determina o destino de Salomão, o elefante indiano trazido de Goa há dois anos. Com o paquiderme, eles decidem presentear o arquiduque austríaco Maximiliano II, recém-casado com a filha do imperador Carlos V.
E a magnitude de Saramago já dá o ar de sua graça nas primeiras páginas, quando o rei D. João vai com seu secretário verificar o estado de Salomão, o paquiderme. Lá, encontra o elefante muito sujo e o seu tratador indiano, o conarca. Seguem as linhas irônicas do momento do banho do elefante:
"(...) O rei resmungou qualquer coisa que não pôde ser ouvida, disse em voz firme e clara, Quero esse animal lavado agora mesmo. Sentia-se rei, era um rei, e a sensação é compreensível se pensarmos que nunca dissera uma frase igual em toda a sua vida de monarca. Os pajens transmitiram ao cornaca a vontade do soberano e o homem correu a um alpendre onde se guardavam coisas que pareciam ferramentas e coisas que talvez o fossem, além de outras que ninguém saberia dizer para que serviam. Ao lado do alpendre havia uma construção de tábuas coberta de telha-vã, que devia ser o alojamento do tratador. O homem regressou com uma escova de piaçaba de cabo comprido, encheu um balde grande na dorna que servia de bebedouro e pôs mãos ao trabalho. Foi notório o prazer do elefante. A água e a esfregação da escova deviam ter despertado nele alguma agradável recordação, um rio na índia, um tronco de árvore rugoso, e a prova é que durante todo o tempo que a lavagem durou, uma meia hora bem puxada, não se moveu donde estava, firme nas patas potentes, como se tivesse sido hipnotizado. Conhecidas como são as excelsas virtudes da higiene corporal, não surpreendeu que no lugar onde havia estado um elefante tivesse aparecido outro. A sujidade que o cobrira antes e que mal deixava ver-lhe a pele tinha-se sumido sob o ímpeto combinado da água e da escova, e salomão exibia-se agora aos olhares em todo o seu esplendor. (...) Deixara-se lavar como se esperasse um milagre, como num baptismo e o resultado ali estava, pêlos e pintas."
Mais informações:
Companhia das Letras - www.ciadasletras.com.br
Sesc São Paulo - www.sescsp.org.br
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